Uma delicia rara - Casa Manoel Boullosa Carcavelos 1991



O mundo é um lugar muito pequeno e é verdade.

 Ás vezes damos conosco em situações que não conseguimos controlar e sem sabermos muito bem como, as coisas acontecem.

Foi o caso deste vinho. Como ele foi parar ao outro lado do mundo e é agora alvo de uma crítica, é uma história típicamente portuguesa.

Luis Santos, fartinho até á medula de ser explorado pelos senhores burgueses (neste caso específico, os arquitectos e seus estúdios) pirou-se aqui do rectangulo á beira-mar plantado e pôs-se a caminho da Califónia. Foi estudar mais um bocado, que os seis ou sete anos que levava de estudo por cá, claramente não eram suficientes. Mas pronto, estudar lá fora é bom para o curriculo e ele lá foi, deixando mãe, namorada, amigos e o Sporting em suspenso.

Mas lá está, onde anda um português, anda boa comida e bom vinho.

Foi numa das ocasiões em que brevemente volta á Tugalândia, que se deu mais um encontro de amigos. Conversa puxa conversa e claramente querendo que o meu rapaz faça boa figura nos States, ofereci-lhe uma garrafa que até por cá é rara: um Carcavelos.

Deixo abaixo a crítica, feita por lá, depois de um jantar comemorativo.



10-3-2017
Berkeley, Califórnia

Carcavelos – Casa Manoel Boullosa, Quinta dos Pesos, 1991

Este vinho estava reservado para comemorar um evento especial e não desiludiu, antes pelo contrário surpreendeu. Muito balanceado, este vinho generoso combina algumas características de um bom Madeira meio-seco, o seu toque amadeirado e alguma salinidade, e de um bom porto Tawny, nomeadamente nas notas de passas e de frutos secos. O inicio de boca é seco, as notas de madeira são pronunciadas sendo gradualmente sucedidas pela riqueza das passas e dos frutos secos, que auferem uma discreta doçura e um final de boca longo.

Apesar de poder ser usado como aperitivo (tal como um Madeira), também pode ser bebido como vinho de sobremesa. Esse foi o seu destino. Após uma refeição nada frugal de New York Steak com espargos salteados, este vinho acompanhou um flourless chocolate cake. O casamento foi ideal. Poderia ter sido interessante se o tivéssemos experimentado com o foie-gras que se comeu como aperitivo, mas nesta ocasiao essa foi uma história destinada para um velho Kleinberger da Gundlach Bundchu de 2000.  

Resumindo, excelente vinho generoso, de grande carácter e delicadeza; não fica atrás dos pesos pesados nacionais no que concerne aos vinhos generosos: Madeira, Moscatel, e Porto. Esta primeira aproximação aos vinhos de Carcavelos (pelo menos na humilde opinião do autor destes breves parágrafos) revelam o potencial desta pequena região vinícola Portuguesa bem perto de Lisboa.
 
Luis Santos
 
 o senhor Arquitecto em momento de contemplação

 
 
 

 

Chão Rijo branco 2015

O vinhos de Colares são famosos pela sua longevidade e a cada ano que passa impressionam mais. São vinhos cheios de carácter e aos quais é impossível ficar indiferente. Nunca mais me esquecerei dos Colares branco e tinto de 1969.

Falando de coisas mais "simples". As vinhas que dão origem a este Chão Rijo estão apenas a 10 km da Costa Atlântica, e a influência desta proximidade do mar, aliado ao facto de as vinhas estarem implantadas em solos argilo-calcários, dão origem a um vinho com carácter e identidade própria. Mineralidade e acidez, quer na componente aromática quer na boca, são as notas dominantes. Para um vinho que custa abaixo dos 5€ vale bem a pena, e se pensarmos no potencial que poderá ter com o passar dos anos, torna-se ainda mais aliciante. Recomenda-se.



Produtor: Adega Regional de Colares
Castas: Malvasia, Galego Dourado, Jampal e F. Pires
Região: Lisboa (Colares)
Preço: 3-5 €
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